Lema

40 Anos a Desfazer Opinião
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terça-feira, 19 de maio de 2015

Espíritos A Sul

Duke Ellington andava em digressão pela Etiópia. Quando confrontado com a música de Mulatu e sua legião de seguidores, não hesitou na proclamação 'formal' da existência de uma forma local de jazz autónomo. Ou seja: uma singularidade estética governada pelas suas regras e dotada de uma dinâmica e de um vocabulário próprios. Porque de apartheid já tinha a sua dose, de quando, nos dias do Cotton Club, os músicos negros eram obrigados a entrar pelas traseiras, a Duke nunca lhe deu muito para ir pelo continente africano abaixo.
Menos sorte, por isso, tiveram os briosos combatentes da causa da liberdade, via música, da África do Sul. Dollar Brand partiu e -com nome ocidental e/ou muçulmano- foi grande dos dois lados do Atlântico. Hugh Mazekela, embora feito de outra 'massa' (mista), foi um gigante, de âmbito estético mais vasto, e ainda o é, como Lisboa irá comprovar em Junho.
E, depois, há o notável destacamento, também em fuga ao apartheid, que escolheu Londres como rumo. Chris McGregor (um branco) comandava a nata do jazz 'made in Soweto', também este 'feito à (sua) medida'. Começou por dar às costas do Mar do Norte como The Blue Notes; logo se deixou de 'pescar' o nome nas águas do jazz e mudou-se para 'os mares do espírito' -The Brotherhood Of Breath.
Johnny Dyani, Dudu Pukwana, Harry Miller, Mongezi Feza (presente como trompetista e compositor em "Ruth Is Stranger Than Richard", de Robert Wyatt) e Louis Moholo (baterista dos Rip Rig + Panic, em Vilar de Mouros 1982) tiveram -à excepção do último- 'arte longa e vida breve'. Mas que ficou para trás? O jazz fechou as portas lá no Sul, quando Dollar Brand, antes da partida, erguera, qual bandeira, um soberbo "Soweto Is Where It's At"? A resposta está aqui, tem distribuição nacional e amanhã haverá mais: "Spirit Of Malombo: Malombo Jazz Makers, Jabula And Jazz Afrika 1966-1984".

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Uma Trufa Por Dia...

Quando a febre do afro-rock subiu, Osibisa tomou conta da rádio e Fela começou a ser falado. De fora, ficou gente que não o merecia, e pela simples razão de que só havia lugar para um (!) em cada região exterior ao rock-rock. Mesmo assim, não passou despercebido um grupo constituído por exilados da África do Sul. O núcleo sensível ao rock -onde pontificava a cantora Martha Mdenge- deu origem aos Assagai; o mais afecto à música improvisada -embora nunca tenha deixado de secundar as suas acções- já dava nas vistas como uma força nova do jazz britânico: The Blue Notes (Dudu Pukwana, Mongezi Feza e Louis Moholo), mais tarde, sob a coordenação de Chris McGregor, The Brotherhood Of Breath -"all rest in peace".