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40 Anos a Desfazer Opinião
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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Uma Lista De Bens 2015 (6)

LIVRO
Viv Albertine – Clothes Clothes Clothes Music Music Music Boys Boys Boys
Nota: da autoria da guitarrista e -com a falecida Ari Up- figura carismática de The Slits, grupo feminino crucial do movimento punk, a autobiografia da outrora namorada de Mick Jones (Clash) não só é um dos melhores (e mais clarividentes) livros sobre música popular alguma vez escritos como representa o ‘golpe de misericórdia’ na narrativa do rock no masculino.



sábado, 20 de setembro de 2014

Hors D'Oeuvre

The Slits. Talvez, e sem desprimor para os seus pares, o mais assombroso caso de 'do it yourself' convertido em 'state of the art' no dia a seguir à Revolução Punk. Duas únicas sessões de Sex Pistols (e, da força telúrica de Johnny Rotten -logo a seguir, John Lydon) bastaram para desencadear em Viv Albertine e mais 3 raparigas o desejo de partir em busca do seu norte magnético. Em 1977, com as respectivas idades a rondar os 14 anos, já gravavam uma 'Peel Session', com o ar de quem ainda não compreendeu, sequer, em que Planeta está. Mas a verdade é que sempre souberam muito bem o que queriam. À medida que aumentava a confiança na -e o nível da- sua música, chegavam convites de sectores diversos do movimento editorial independente, então, em fase de consolidação. Todos ouviram uma categórica negativa, que nada tinha de presunção mas de certeza do caminho por onde se queria seguir. Admiradoras confessas do catálogo da Island, aí mesmo queria o quarteto encontrar abrigo seguro para as suas heterodoxas convicções e apoio incondicional para as suas acções estéticas. Foi assim que -após o abandono de Palmolive, baterista espanhola- Dennis Bovell, o músico de ascendência jamaicana mais criativo do Reino Unido, ocupou o lugar vago e, de igual modo, se ocupou da mesa de mistura. "Cut" veio logo a seguir: uma obra-prima a que a passagem do tempo não retirou -pelo contrário- uma partícula de esplendor. O manifesto, contudo, viera antes, em 1979, através de um single de 7" irmãmente repartido com The Pop Group. The Slits não podiam ter ido mais longe em matéria de clareza de intenções, pelas quais passava a antecipação do iminente cruzamento de dois mundos até então vivendo de costas voltadas: "In The Beginning There Was Rhythm" (título em cuja 'filosofia' radica a foto da capa do subsequente álbum). Em 1981, John Peel voltou a dirigir o convite para a gravação de uma sessão a tão brava gente: porque sabia que, para pessoas com espírito assim, 4 anos pode ser muito tempo. E, nas suas mãos, até algo tão inflexível como um manifesto podia dar (como deu) um impensável passo em frente (com uma ajudinha de Budgie, do projecto The Creatures, de Siouxsie Sioux) e outra de Neneh Cherry, 18 anos, que, no ano seguinte, como vocalista dos Rip Rig + Panic, falharia o Festival de Vilar de Mouros por uma 'unha negra'.
Nota: o clip refere-se a uma primeira (e, necessariamente, menos rica) versão feita em estreita colaboração com a enteada de Don. Para o contacto com 'the real shit', por favor, oiça-se o link que se lhe segue.