Lema

40 Anos a Desfazer Opinião
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domingo, 17 de maio de 2015

One Bitch Of A Brew

A Tenrura dos Quarenta
Dia 18, amanhã, é posta à venda uma 'reedição de luxo' de "Bitches Brew". Mesmo nada havendo como a opção que respeita o formato original, será inevitável reconhecer que se está perante o álbum mais paradigmático da 'fase eléctrica' de Miles Davis. Tanto "In A Silent Way" (a genuína revolução), como "On The Corner" (a genuína profecia), como, ainda, "The Big Fun" (matriz de futuras 'slow jams') são superiores ao objecto aniversariante. O qual, contudo, não só saiu num momento tão certo como "Sgt. Pepper's" como fixou o 'state of the art' de uma nova estética que toda a gente captou à primeira, menos os 'keystone cops' do jazz. Deixando de lado aquilo que lá possa vir anunciado como bónus -e que, segundo o insuspeito, mesmo depois de falecido, Teo Macero, correponde, exactamente, ao que os músicos consideraram 'piece of shit'- continua a ser essencial dar ouvidos a este disco, no qual tudo -no 'novo' espírito de Miles e 'no terreno'- está no seu sítio.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Cereja No Topo 5

Alice Coltrane- Turiyasangitananda: Divine Songs
Não acontece, apenas, aos diamantes. Há cerejas que também são para sempre. Não acusam a passagem do tempo. E não precisam de sujeitar-se a processos de cristalização. Não teve um começo fácil, quando a indesejável viuvez lhe trouxe a libertação da sua tão singular quanto infinita energia criativa. Teve que suportar a irascibilidade de uma ortodoxia que não (ou)via na sua música senão uma forma oblíqua de tirar partido do apelido Coltrane -no essencial, a mesma 'galeria de figuras de cera' que havia declarado Miles finado para o jazz e rendido à perspectiva de uma 'sinistra' carreira comercial, baseando-se o 'sábio' veredicto no indisfarçável interesse do 'man with the horn' pela guitarra eléctrica, pela 'cultura de rua' como estímulo estético e -'the horror'- pelo recurso ao estúdio de gravação para o inconfessável propósito de 'adulteração' do jazz-'natureza morta'. Mas os cães ladram e a caravana de sonhos passa. Depois do registo de uma mão-cheia de exercícios geniais de jazz pós-free em diálogo íntimo com os frutos de um reconhecido ADN indiano, Alice decidiu contrariar (por razões, estritamente, interiores) o sentido da história. Ou seja: enquanto a música soul nascera da integração do sagrado no mundano, a virtuosa harpista achou que já tinha a sua dose de mundo e -pelo fim dos anos 70- decidiu dedicar-se à devoção num 'vedantic center' situado nas montanhas de Santa Mónica (imediações de Los Angeles). Pensava-se que, para a briosa viajante espiritual de "Journey In Satchidananda", a música tinha chegado ao fim. E eis senão quando... O prodigioso conteúdo de umas quantas cassetes -originalmente de circulação restrita no meio conventual- dá à costa sob a forma de CD. De cortar a respiração.

sábado, 5 de julho de 2014

A Cereja do Topo

Miles Davis - A Surrey With A Fringe On Top
A Mãe de Todas As Cerejas. Nem 'surrey' é um bolo, nem 'fringe' é uma cereja. Mas por que razão ambos formam um conjunto tão suculento, do qual emana tão intenso sabor como o do fruto que aqui virá encimar algumas peças saídas da nossa confeitaria? Miles: diz-nos a verdade! Voltaste a fazer das tuas?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Uma Trufa Por Dia...

Esta trufa avalia-se em quilates. Nem sempre anda à mão de semear; mas, com alguma regularidade, 'pinta' por aí. Diz tudo da aragem criativa que sempre distinguíu este (hoje) quase octogenário que Miles Davis não descansou enquanto não o teve a seu lado em palco. Em momentos de felicidade, tristeza, apatia ou ansiedade, será, sempre, bom bater a esta porta. Lá dentro, respira-se saudinha. E, por isso, raras vezes, um título de disco terá sido tão fiel à verdade do seu criador como "A Música Livre de Hermeto Pascoal".