Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

sábado, 22 de agosto de 2015

Um Quiçá Caetano

"O baiano (Marighella) morreu estava eu no exílio/E mandei um recado: que eu tinha morrido/E que ele estava vivo, mas ninguém entendia/Vida sem utopia, não entendo que exista/Assim fala um comunista/Porém, a raça humana segue trágica sempre". Dir-se-ia que esta não é para qualquer um; mas não chega. Se já se sabia que Caetano Veloso era um dos maiores estilistas da Língua Portuguesa, esqueça-se, por momentos, o maravilhoso sentido lúdico dessa constante 'oxigenação fonética e semântica' e atente-se na espessura dramática do escritor.
Há muito tempo -talvez desde o longínquo (no tempo) "Estrangeiro"- que Caetano não se aplicava assim para que essa sua (menos cantada) veia voltasse a adquirir visibilidade. Esta evocação de quem deu a vida por um ideal, exclusivamente alimentada pela admiração e pelo respeito pelo semelhante, deita por terra trivialidades (de hoje) como a afinidade ideológica. Mas sobretudo vale -como ouro maciço- pela coragem de mostrar tudo isto a um mundo, do qual a palavra 'ideal' foi, há muito tempo, banida.
("Um Comunista", do álbum "Abraçaço", Caetano Veloso, 2012)

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Um Interlúdio Grego

Tania Giannouli - Transcendence
Nem paisagismo, nem new-age. E, de 'light jazz', pouco mais que uma enganadora silhueta. Metáfora? Isso, sim. Vinda de uma grande compositora de um país que soube responder com o civismo desta música e as quase-carícias daquele mar aos desmandos de uma Europa vocacionada para o falso alarde de arrogância próprio da criadagem. Tão despudorada, essa Europa, que seria capaz de conceber a próxima factura a expedir para Atenas ao som desta música que de lá sopra como uma brisa desse civismo desaparecido dos dicionários europeus.

sábado, 15 de agosto de 2015

Um Impasse Conveniente?

Sou do Sporting -por favor, não se vão embora... Mas sou, sobretudo, um defensor da verdade. E, para mais, alguém que foi educado à luz do mais fino conceito de 'fair-play': por exemplo, não vejo diferença entre um brioso sportinguista e um infeliz benfiquista (esta vai-me custar dois terços dos 'aficionados')!

Tudo isto vem a propósito do jogo Tondela-Sporting, de ontem à noite. Sempre defendi que um golo obtido no primeiro ou no último minuto de jogo vale tanto como outro obtido aos 24 ou aos 42. E, no entanto, aquele penalty, que permitiu ao Sporting vencer o jogo aos 95 minutos de jogo, deu-me que pensar.

O Sporting já é treinado por Jesus e não lhe devem faltar Santos nos corpos directivos. Mas, ontem, Jesus ergueu os olhos para onde costuma parar o Altíssimo e, acto contínuo, surgiu o penalty. Ora, a questão que o episódio coloca é esta: estará Deus a invocar motivos menos sérios para arrastar as negociações que visam a reaquisição da nacionalidade brasileira, porque, deste modo, pode investir no terreno fértil do 'biscate' e -por exemplo- ser 'lagarto' por um dia? A pergunta -tal como Deus- fica no ar.