Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

sábado, 25 de outubro de 2014

Prova de Vida 2

Canções de Trabalho
Sim, ainda há quem passe por isto. Bronzeado garantido. Esperança de vida desconhecida. Pelo menos, tem sido uma sólida fonte de belas canções (escritas à sombra...). Luxúria orquestral de mestre Luiz Eça.

Prova de Vida 3

Canções de Trabalho
Ser-vos-á mais familiar e, contudo, não faltará quem não a reconheça nesta qualidade. Como diria o David Byrne pré-funk, "this ain't no disco/this ain't no fooling around"...
Obs.: por uma questão de fidelidade aos factos, cumpre-me esclarecer -a propósito do post dedicado a The Slits- que, embora Dennis Bovell tenha sido, de facto, o produtor do seu primeiro álbum, foi Budgie (futuro cúmplice de Siouxsie Sioux) que se ocupou da bateria -depois da 'transferência' de Palmolive para The Raincoats, supostamente por discordância com o 'critério' que presidiu à escolha da capa de "Cut"...

sábado, 20 de setembro de 2014

Hors D'Oeuvre

The Slits. Talvez, e sem desprimor para os seus pares, o mais assombroso caso de 'do it yourself' convertido em 'state of the art' no dia a seguir à Revolução Punk. Duas únicas sessões de Sex Pistols (e, da força telúrica de Johnny Rotten -logo a seguir, John Lydon) bastaram para desencadear em Viv Albertine e mais 3 raparigas o desejo de partir em busca do seu norte magnético. Em 1977, com as respectivas idades a rondar os 14 anos, já gravavam uma 'Peel Session', com o ar de quem ainda não compreendeu, sequer, em que Planeta está. Mas a verdade é que sempre souberam muito bem o que queriam. À medida que aumentava a confiança na -e o nível da- sua música, chegavam convites de sectores diversos do movimento editorial independente, então, em fase de consolidação. Todos ouviram uma categórica negativa, que nada tinha de presunção mas de certeza do caminho por onde se queria seguir. Admiradoras confessas do catálogo da Island, aí mesmo queria o quarteto encontrar abrigo seguro para as suas heterodoxas convicções e apoio incondicional para as suas acções estéticas. Foi assim que -após o abandono de Palmolive, baterista espanhola- Dennis Bovell, o músico de ascendência jamaicana mais criativo do Reino Unido, ocupou o lugar vago e, de igual modo, se ocupou da mesa de mistura. "Cut" veio logo a seguir: uma obra-prima a que a passagem do tempo não retirou -pelo contrário- uma partícula de esplendor. O manifesto, contudo, viera antes, em 1979, através de um single de 7" irmãmente repartido com The Pop Group. The Slits não podiam ter ido mais longe em matéria de clareza de intenções, pelas quais passava a antecipação do iminente cruzamento de dois mundos até então vivendo de costas voltadas: "In The Beginning There Was Rhythm" (título em cuja 'filosofia' radica a foto da capa do subsequente álbum). Em 1981, John Peel voltou a dirigir o convite para a gravação de uma sessão a tão brava gente: porque sabia que, para pessoas com espírito assim, 4 anos pode ser muito tempo. E, nas suas mãos, até algo tão inflexível como um manifesto podia dar (como deu) um impensável passo em frente (com uma ajudinha de Budgie, do projecto The Creatures, de Siouxsie Sioux) e outra de Neneh Cherry, 18 anos, que, no ano seguinte, como vocalista dos Rip Rig + Panic, falharia o Festival de Vilar de Mouros por uma 'unha negra'.
Nota: o clip refere-se a uma primeira (e, necessariamente, menos rica) versão feita em estreita colaboração com a enteada de Don. Para o contacto com 'the real shit', por favor, oiça-se o link que se lhe segue.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Testes (5)

Se nem Zimmerman, nem o melómano, se apresentarem, como candidatos voluntários ao internato no hospital psiquiátrico mais próximo, mais uma vez se concluirá que a pop -para bem da Humanidade- possui razões que a razão desconhece. Como se isso tivesse algum peso num mundo interior onde o instinto é quem mais ordena.

Teste 5. The Wonder Who ('alter ego' de The Four Seasons)/Don't Think Twice, It's All Right (autor: Bob Dylan).

Testes (4)

Matéria que não deve ser menosprezada numa ocasião de ensaios como esta será a que consiste em submeter a prova de fogo a nossa capacidade de averiguação do ponto aproximado até onde deve ir a componente provocatória de um texto antes de se converter em fonte de embaraço público do visado. Também nesta frente, nada como visar a situação extrema.

Teste 4. The Beach Boys/The Times They Are a-Changin' (autor: Bob Dylan)
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Testes (3)

Falta, agora, por previdência, uma derradeira confirmação. Mas cometer-se-ia um atropelo à verdade se não se admitisse que a especificidade cultural portuguesa também esteve presente neste derradeiro 'atentado', através do princípio inútil e absurdo que nos garante que "não há duas sem três".

Teste 3. The Blue Cheer/Summertime Blues (autores: Eddie Cochran e Jerry Capehart).

Testes (2)

Porque a segurança está acima de tudo, não seria razoável extrair conclusões a partir de um único teste, no qual, de resto, a sorte, poderia ter estado presente. Que se passe, pois, a uma fase superior de ameaça à integridade da estrutura arquitectónica.

Teste 2. Cream/Crossroads (autor: Robert Johnson).