Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

terça-feira, 13 de maio de 2014

Uma Trufa Por Dia...

Homens de Atenas (Geórgia, EUA). E se a primeira pessoa que tocou R.E.M. numa estação de rádio local tivesse pegado no disco ao lado? Estaríamos, hoje, ainda, a celebrar um grupo com o sintomático nome de The Side Effects, enquanto alguns activistas do 'digging' começavam a agitar as águas pela descoberta de um curioso álbum chamado "Murmur", gravado por um quarteto com um nome demasiado estranho (qualquer coisa relacionada com o sonho) e desconhecido de toda a gente?

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

Há uma nova ordem estética associada à 'canção de autor'. Não terá nascido de geração espontânea mas, de igual modo, dispensou o recurso a métodos sofisticados de conceptualização. Esta música também teria acontecido sem Cassandra Wilson ou Bjork. Porque não é mais que um espelho do mundo actual. Quer dizer que atributos do músico, memória colectiva e os materiais disponíveis são os principais ingredientes desta arte conjugada na primeira pessoa do singular (mesmo quando tem o mundo inteiro, e a sua História, no espírito). Tal é o caso da argentina Juana Molina, notável esteta e filha de Horácio Molina, lenda do tango.

Uma Trufa Por Dia...

Falta (e faltará) sempre mais um. Que podia ter tido uma vida de sonho (e, mesmo, mudado a música). Mas a aristocracia mediática nunca quis saber de quem não contribuia para a sua própria glória. Só que a hora da justiça chega sempre; mesmo quando dirigida a quem já cá não está. Não é esse o caso de Ned Doheny, esteta genial do chamado 'blue-eyed soul', ainda em actividade, e autor de 2 ou 3 álbuns extraordinários na primeira metade dos anos 70. Ninguém deu por nada; mas, agora, ninguém resistirá a "Separate Oceans" -apanhado da produção da época. Arquivar na prateleira de Rodriguez e Shuggie Otis.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

Mais rock. Não do que reflecte a especificidade estética dos nossos dias mas da variedade clássica-moderna da qual se diz que 'já não se faz'. São de Austin, Texas, e vão no quarto álbum, sendo este, o segundo, "Directions To See A Ghost", deveras convincente a respeito da intemporalidade de tudo quanto é sublime porque fruto da paixão. Que tenham pensado que "The Black Angel's Death Song", dos Velvet Underground, daria um bom nome para um grupo diz tudo a respeito do estímulo inicial mas muito pouco sobre a excelência do desenlace.

Uma Trufa Por Dia...

O segredo mais bem guardado do dia a seguir aos 'sixties'? Na verdade, custa a crer que a obra-prima esculpida por Doug Randle, do Canadá, tenha permanecido na mais absoluta obscuridade durante 40 anos. A menos que alguém se tenha sentido atraído, agora, pela desconcertante actualidade da 'mensagem' de um álbum conceptual -"Songs For The New Industrial State"- que não deixa escapar um só dos males que, a prazo, significam o fim do Planeta tal como o conhecemos. Que Doug o tenha feito mediante o uso da verve melódica, do requinte orquestral e da concisão formal de que se faz um clássico quase dispensava a natureza de um discurso que o Mundo de hoje ainda traz na ponta da língua.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

Quem havia de dizer que os protagonistas da cultura que, outrora, mais escarneceu do rock feito na Alemanha se orgulhariam, um dia, da capacidade de aproximação à réplica desse paradigma? Fujiya & Miyagi, de Brighton, já vão no quarto capítulo de um processo que partiu do ensaio da cópia perfeita e daí seguíu para a afirmação de uma identidade estética 'inspirada pelo' krautrock. Embora aquém do extraordinário 3º álbum (Ventiloquizzing, 2011), ainda não se resvala, em Artificial Sweeteners, de forma muito comprometedora, para a lógica do fabrico em série.

Uma Trufa Por Dia...

Nasceu na Geórgia, Ray Charles foi o primeiro a suspeitar da singularidade do seu talento e pouco teve que esperar até integrar, com o seu grupo, o 'staff' de estúdio da Motown. Quando Barry Gordy trocou Detroit por Los Angeles, Hamilton Bohannon (na época do 'disco', apenas Bohannon) preferiu manter o génio criativo ao sabor do vento e à cadência dos motores. Terá dado origem à mais original variedade americana de funk, à qual um génio como Fela Kuti não teria virado costas. Mas nada pôde contra a envergadura mediática de pares como James Brown e George Clinton. Quase desconhecida em Portugal, a obra desta figura ímpar está em fase de reedição integral além-fronteiras.