Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma Trufa Por Dia...

O segredo mais bem guardado do dia a seguir aos 'sixties'? Na verdade, custa a crer que a obra-prima esculpida por Doug Randle, do Canadá, tenha permanecido na mais absoluta obscuridade durante 40 anos. A menos que alguém se tenha sentido atraído, agora, pela desconcertante actualidade da 'mensagem' de um álbum conceptual -"Songs For The New Industrial State"- que não deixa escapar um só dos males que, a prazo, significam o fim do Planeta tal como o conhecemos. Que Doug o tenha feito mediante o uso da verve melódica, do requinte orquestral e da concisão formal de que se faz um clássico quase dispensava a natureza de um discurso que o Mundo de hoje ainda traz na ponta da língua.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

Quem havia de dizer que os protagonistas da cultura que, outrora, mais escarneceu do rock feito na Alemanha se orgulhariam, um dia, da capacidade de aproximação à réplica desse paradigma? Fujiya & Miyagi, de Brighton, já vão no quarto capítulo de um processo que partiu do ensaio da cópia perfeita e daí seguíu para a afirmação de uma identidade estética 'inspirada pelo' krautrock. Embora aquém do extraordinário 3º álbum (Ventiloquizzing, 2011), ainda não se resvala, em Artificial Sweeteners, de forma muito comprometedora, para a lógica do fabrico em série.

Uma Trufa Por Dia...

Nasceu na Geórgia, Ray Charles foi o primeiro a suspeitar da singularidade do seu talento e pouco teve que esperar até integrar, com o seu grupo, o 'staff' de estúdio da Motown. Quando Barry Gordy trocou Detroit por Los Angeles, Hamilton Bohannon (na época do 'disco', apenas Bohannon) preferiu manter o génio criativo ao sabor do vento e à cadência dos motores. Terá dado origem à mais original variedade americana de funk, à qual um génio como Fela Kuti não teria virado costas. Mas nada pôde contra a envergadura mediática de pares como James Brown e George Clinton. Quase desconhecida em Portugal, a obra desta figura ímpar está em fase de reedição integral além-fronteiras.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

"Texas não é só isto" -dizia um antigo 'reclame'. O que serve para sublinhar que não se trata -como se viu por Leon Haywood- de um estado apenas devotado ao rock; mas também que este não vive tão cheio de si próprio que não lhe dê para ir em busca de novas saídas. No caso dos Midlake, chamem-lhe folk-rock ou 'alternative country', mas preocupem-se, sobretudo, com o que para aqui vai em matéria de inserção subtil de traços exteriores ao rock (groove, por exemplo) num louvável esforço de auto-regeneração. E este é o seu disco menos atrevido...

Uma Trufa Por Dia...

Por falar em antípodas, já conhecem a do canguru? Quer dizer: do significado da palavra? Garante a História que o Capitão Cook -intrigado com o aspecto e o comportamento de tão singular animal- quis saber de um nativo de que bicho se tratava. A resposta não se fez esperar: qualquer coisa como 'kan-ga-roo'. Reza a lenda que, mais tarde, veio a descobrir-se que o significado da dita palavra seria "como disse?". Outras fontes, pelo contrário, asseveram que a expressão significa "não faço a mais pequena ideia". Red Crayola (por vezes, Krayola) -depois dos Mestres Músicos de Jajouka e dos Rolling Stones, o grupo mais 'idoso' da História do Rock- debruçou-se sobre o momentoso assunto numa das frequentes deslocações da trupe de Mayo Thompson a Inglaterra. A voz pertence a Lora Logic; na altura, chefe-de-fila dos soberbos Essential Logic.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma Maçã Por Dia...

Ainda dos antípodas; agora, a segunda pedra a contar da Austrália. Gozando, hoje, de uma sólida reputação em palco, nem por um instante a sua tão escassa quanto substancial discografia descura a componente laboratorial. Justamente, porque sobre 'discos ao vivo sem público' versa um trabalho que faz da espontaneidade um ponto de honra. O que não é para qualquer um que encare a carga conceptual e o domínio da estrutura como principais linhas de força.

Uma Trufa Por Dia...

Mais 'força da natureza' que a maioria dos seus pares da década de 70, Leon Haywood foi o músico mais samplado pelas primeiras figuras de proa do 'gangster rap'. E, mesmo dispensado a gravata, não é senão pelo mesmo misto de crueza criativa e luxúria estética pós-Marvin/Hathaway/Withers que ainda hoje se impõe a música deste texano.