Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

domingo, 30 de junho de 2013

Nota Prévia: devido à presente vaga de calor, os trabalhos regulares de espeleologia deste blogue passam a ter lugar nas horas subsequentes ao ocaso do responsável maior pela referida vaga. A gerência tudo fará para que a música se paute por critérios de frescura que tenham em vista atenuar os malefícios da actual conjuntura astral.

domingo, 23 de junho de 2013

Brian Eno pôs no leitor de CDs "The Jazz Era", de Bryan Ferry, e gostou do que ouviu. Já a pensar numa editora vocacionada para a revisão pós-estruturalista do conceito de revisionismo, decide-se por idêntica operação. Objectivo: anos 50. Resultado: um fiasco tão escusado como embaraçoso. Mesmo assim, será capaz de dizer que prefere o original?

Os Metallica resolvem medir forças com os Led Zeppelin. Como quem explica quem manda agora. Jogam no terreno onde Plant ergueu a sua voz e já nada podem fazer quando dão pela presença das areias movediças. Tem a certeza que a versão de "Whole Lotta Love" que lhe conquistou o coração é a original?

Mais: Ben Harper não resiste e grava "Hey Joe". O resultado transmite a escassa convicção de quem já grava de mais. Mas vai dizer que prefere o original?

Ou imagine que os Kraftwerk -a título de 'prova de vida'- decidem adaptar ao seu mundo híbrido um clássico como "Tainted Love". É um desastre! Mas vai dizer que prefere o original?

E, no entanto, na maioria dos casos, ao contrário de The Wonder Who (na realidade The Four Seasons 'in disguise'), o melómano de insuficiente idade para alcançar as raízes do facto pop devia pensar duas vezes antes da solene proclamação: 'prefiro o original'. Porque o original pode ser muito anterior à versão que se habituou a ouvir. Vamos supor que Nick Cave convida Anita Lane para o registo de uma nova versão de "Something Stupid". Por muito mau que o resultado seja, eu não me atreveria a dizer que prefiro o original...
 
 

Palavras de Aconselhamento para Jovens (thanks, Burroughs)

A música pop é uma realidade muito traiçoeira. É verdade que há situações em que nenhum risco existe na afirmação 'prefiro o original' (embora a predilecção estética seja, sempre, uma questão de gosto...).