Lema

40 Anos a Desfazer Opinião

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Antes e Depois da Ciência

Sempre trazia alguma água no bico. Na minha perspectiva, dos 4 álbuns a solo gravados nos anos 70 pelo ex-Roxy Music, "Before And After Science" é o que pior resistiu à passagem do tempo. Mas, apesar de ainda haver algum atrevimento estético no que se ouvirá em seguida, pouco mais se extrai deste disco que a ideia -por vezes, útil- que o título sugere. Já lá vamos. First...

Intermezzo

Bonito. Não tem que haver uma 'explicação musicológica' para tudo...

O Futuro Lá Atrás...
A imagem não podia ter maior valor histórico. Mas no link se encontra escondido o tesouro. Porque lá se descobrem fotografias dignas de um museu do futurismo (incluindo uma do mítico  'intonarumori' -tetravô do sintetizador e primeiro utensílio sónico gerado com a utopia das escritas automática, descontínua e não-determinista no pensamento). E, para ilustrar as consequências da visão pioneira da 'arte do ruído', lá estão, também, excertos de notabilíssimos documentários da BBC, sobre o krautrock e os Kraftwerk.
Não faltará quem fique perplexo com a confissão das divergências na maneira de estar na música de Ralf e Florian, núcleo criativo dos Kraftwerk, feitas por este último. Para não falar já das diferentes origens sociais do duo em relação ao comum activista hippie (e como isso pesou na autonomização musical do grupo de Dusseldorff) ou nas teorias meio-alucinadas de Ralf para convencer a Humanidade de que a ideia-chave dos 'homens-máquina' tinha mesmo fundamento real...
Luigi Russolo: How The Art of Noise Revolutionized 20th Century Music.
 http://www.hydramag.com/2010/08/27/luigi-russolo-how-the-art-of-noise-revolutionized-20th-century-music/

domingo, 28 de abril de 2013

O Que Não Se Faz No Dia de Santa Luzia...

O Céu pode esperar. Que fiquem as novidades para amanhã. E que se inicie uma semana sem stress.

Então e Nós?...

O mundo nunca foi a preto-e-branco. Por muito que a História aponte em sentido contrário. Uma coisa é o que se proclama em cima; outra, a que se vive em baixo. Mas entremos, por instantes, no jogo. E nós? Não somos capazes?

Outro?

Lamentavelmente, não é do advento de um génio que se trata. Para já, mais do mesmo: "another one bites the dust"... Como diriam os Thunderclap Newman, "there's something in the air". O cheiro da figura negra da foice insiste em não deixar a música em paz. Desta vez, o detentor da senha seguinte era o grande Cordell Mosson -desde logo, se depreendendo que essa grandeza não emanava de nenhum estatuto de popularidade mas da sua estonteante dimensão estética. Era negro, baixista e integrou as operações P-Funk (Parliament, sobretudo), tendo ficado intimamente associado a obras do calibre de "Chocolate City" (1975) e "Mothership Connection" -justamente, as mais conseguidas e marcantes, a considerável distância das- por sua vez- mais 'futuristas' "Funkentelechy vs. The Placebo Syndrome" (o de 'Flash Light', 1977) e "Motor Booty Affair" (1978) do ambicioso projecto pluridisciplinar de George Clinton. Repartia as funções de baixista com Bootsy Collins e ambos pareciam comungar do princípio de que 'menos pode ser mais'. Façanha apenas ao alcance dos maiores: colocar o máximo de valia semântica no mínimo de matéria sonora. Como quem pronuncia um discurso, investindo -em simultàneo- na concisão do registo e na carga máxima de significado.
Nesta obra-prima, onde a conquista do poder pela população negra (instaurando a 'nova realidade' de 'cidades de chocolate' rodeadas de 'subúrbios de baunilha') é apresentada, pelo próprio George Clinton, como uma noite eleitoral (atenção à 'distribuição de pastas' no final), não é, por isso, seguro dizer qual dos dois estamos a ouvir -embora, os indícios apontem para Collins. Nada que não tenha remédio, já que é possível -no YouTube- ouvir ambos os discos na íntegra. Nota final: foi nesta comédia genial, percorrida, de viés a viés, pelo paradigma do P-Funk, que Spike Lee recolheu o noma da sua firma de produção: '40 Acres and a Mule'. Na origem, esta era a promessa feita, a título de recompensa, aos escravos negros dispostos a combater na Guerra Civil Americana.

The Thing From Inner Space



A QUEM POSSA DIZER RESPEITO

Dir-se-ia que o Mundo gira em torno da Troika. E, enquanto o pensamento segue esse (essa ausência de) rumo, talvez se note menos que a aplicação da sua política exige a existência da Tríade. A esta não faltará zelo no cumprimento da sua função, com engenho bastante para aproveitar a ‘boleia’ no sentido de mais eficazmente proceder aos sempre adiados trabalhos de esterilização da atmosfera do local de trabalho.

Tem sido prática tão isenta de consequências como discurso oficial tão repleto de intenções a reiteração do princípio: “a culpa não deve morrer solteira”. Muito menos -está bem de se ver- num “semanário de referência”. Que se fique, pois, a saber -de uma vez por todas e para lá de qualquer sombra de dúvida- que não radica noutra natureza o problema do ‘periódico’ que daquele modo aprecia ser qualificado (ou, em certos casos, a si mesmo trata de aplicar-se o distintivo).

Não haverá ponta de exagero na afirmação de que talvez -entre corredores e gabinetes- se descubra matéria para que se coloque a mencionada ‘culpa’ no centro de um harém. Da menção dos nomes -e, em concreto, da responsabilidade directa dos seus titulares na debilitação gradual da cultura portuguesa-, ficará um espaço em branco que poucos terão dificuldade em preencher.

Como em qualquer publicação (de ‘referência’ ou não), há um máximo responsável hierárquico, que, curiosamente, parece ser a figura menos comprometida, no plano ideológico/cultural, com a ‘higienização’ em curso. Lugar garantido tem um notório “maquiavel de subúrbio”, cuja sanha persecutória de longa data (a qual levou ao progressivo desaparecimento de figuras -essas sim, de referência- que fizeram o jornal e, inclusive, incutiram  prazer no cumprimento da norma de a palavra Expresso surgir, sempre, grafada em maiúsculas -sanha, essa, que, nos tempos mais recentes, se traduziu na brutal e imoral (porque isenta de aviso prévio) ‘dispensa dos serviços’ de um crítico literário (por exclusivo mérito próprio, e não por acção de propaganda, também ele, referência sem aspas), decerto pela intolerável demonstração de elitismo contida na circunstância de se encontrar a par da existência de Joaquim Manuel Magalhães, e de um crítico musical (que abaixo se assina), ao qual deve ser apontada a sistemática contribuição para a queda dos índices de leitura e pelo facto de cultivar o estranho hábito de cumprir a função para a qual fora contratado 25 anos antes (criticar discos). E há a clássica figura do recém-chegado ex-crítico e actual gestor, dotado de acentuada propensão para ambiciosos voos de sentido ascensional.

Que as Tríades não gozam de auto-suficiência em matéria de logística, confirmam-no as duas comprovadas situações de conivência no interior da secção onde o agora ‘despejado’ (o nome de João Lisboa será o único por mim apontado por nada ter que ver com a referida malfeitoria) deu o seu melhor. E fê-lo -como os seus colegas que por lá passaram ao longo dos anos-, por vezes, em condições de legitimidade questionável nas frentes editorial e económica.

“40 anos a fazer opinião”? Os leitores (igual a mas diferente de consumidores) de um ‘jornal de referência’ gostam de comprar já tudo feito? Nenhuns ‘círculos próximos da indústria do vestuário’ vos informou de que a “era do pronto-a-vestir” conhece dias crepusculares e que a próxima aurora pode trazer consigo o “despertar dos alfaiates”? Quanto ao “de referência”, por vezes, nada como o silêncio.

Com o mesmo respeito que revelais pela minha pessoa

Ricardo Saló