domingo, 28 de abril de 2013
Outro?
Lamentavelmente, não é do advento de um génio que se trata. Para já, mais do mesmo: "another one bites the dust"... Como diriam os Thunderclap Newman, "there's something in the air". O cheiro da figura negra da foice insiste em não deixar a música em paz. Desta vez, o detentor da senha seguinte era o grande Cordell Mosson -desde logo, se depreendendo que essa grandeza não emanava de nenhum estatuto de popularidade mas da sua estonteante dimensão estética. Era negro, baixista e integrou as operações P-Funk (Parliament, sobretudo), tendo ficado intimamente associado a obras do calibre de "Chocolate City" (1975) e "Mothership Connection" -justamente, as mais conseguidas e marcantes, a considerável distância das- por sua vez- mais 'futuristas' "Funkentelechy vs. The Placebo Syndrome" (o de 'Flash Light', 1977) e "Motor Booty Affair" (1978) do ambicioso projecto pluridisciplinar de George Clinton. Repartia as funções de baixista com Bootsy Collins e ambos pareciam comungar do princípio de que 'menos pode ser mais'. Façanha apenas ao alcance dos maiores: colocar o máximo de valia semântica no mínimo de matéria sonora. Como quem pronuncia um discurso, investindo -em simultàneo- na concisão do registo e na carga máxima de significado.Nesta obra-prima, onde a conquista do poder pela população negra (instaurando a 'nova realidade' de 'cidades de chocolate' rodeadas de 'subúrbios de baunilha') é apresentada, pelo próprio George Clinton, como uma noite eleitoral (atenção à 'distribuição de pastas' no final), não é, por isso, seguro dizer qual dos dois estamos a ouvir -embora, os indícios apontem para Collins. Nada que não tenha remédio, já que é possível -no YouTube- ouvir ambos os discos na íntegra. Nota final: foi nesta comédia genial, percorrida, de viés a viés, pelo paradigma do P-Funk, que Spike Lee recolheu o noma da sua firma de produção: '40 Acres and a Mule'. Na origem, esta era a promessa feita, a título de recompensa, aos escravos negros dispostos a combater na Guerra Civil Americana.
The Thing From Inner Space
A QUEM POSSA DIZER RESPEITO
Dir-se-ia que o Mundo gira em torno
da Troika. E, enquanto o pensamento segue esse (essa ausência de) rumo, talvez
se note menos que a aplicação da sua política exige a existência da Tríade. A
esta não faltará zelo no cumprimento da sua função, com engenho bastante para
aproveitar a ‘boleia’ no sentido de mais eficazmente proceder aos sempre
adiados trabalhos de esterilização da atmosfera do local de trabalho.
Tem sido prática tão isenta de
consequências como discurso oficial tão repleto de intenções a reiteração do
princípio: “a culpa não deve morrer solteira”. Muito menos -está bem de se ver-
num “semanário de referência”. Que se fique, pois, a saber -de uma vez por
todas e para lá de qualquer sombra de dúvida- que não radica noutra natureza o
problema do ‘periódico’ que daquele modo aprecia ser qualificado (ou, em certos
casos, a si mesmo trata de aplicar-se o distintivo).
Não haverá ponta de exagero na
afirmação de que talvez -entre corredores e gabinetes- se descubra matéria para
que se coloque a mencionada ‘culpa’ no centro de um harém. Da menção dos nomes
-e, em concreto, da responsabilidade directa dos seus titulares na debilitação
gradual da cultura portuguesa-, ficará um espaço em branco que poucos terão
dificuldade em preencher.
Como em qualquer publicação (de
‘referência’ ou não), há um máximo responsável hierárquico, que, curiosamente,
parece ser a figura menos comprometida, no plano ideológico/cultural, com a
‘higienização’ em curso. Lugar garantido tem um notório “maquiavel de
subúrbio”, cuja sanha persecutória de longa data (a qual levou ao progressivo
desaparecimento de figuras -essas sim, de referência- que fizeram o jornal e,
inclusive, incutiram prazer no
cumprimento da norma de a palavra Expresso surgir, sempre, grafada em
maiúsculas -sanha, essa, que, nos tempos mais recentes, se traduziu na brutal e
imoral (porque isenta de aviso prévio) ‘dispensa dos serviços’ de um crítico
literário (por exclusivo mérito próprio, e não por acção de propaganda, também
ele, referência sem aspas), decerto pela intolerável demonstração de elitismo contida
na circunstância de se encontrar a par da existência de Joaquim Manuel
Magalhães, e de um crítico musical (que abaixo se assina), ao qual deve ser
apontada a sistemática contribuição para a queda dos índices de leitura e pelo
facto de cultivar o estranho hábito de cumprir a função para a qual fora
contratado 25 anos antes (criticar discos). E há a clássica figura do
recém-chegado ex-crítico e actual gestor, dotado de acentuada propensão para
ambiciosos voos de sentido ascensional.
Que as Tríades não gozam de
auto-suficiência em matéria de logística, confirmam-no as duas comprovadas
situações de conivência no interior da secção onde o agora ‘despejado’ (o nome
de João Lisboa será o único por mim apontado por nada ter que ver com a
referida malfeitoria) deu o seu melhor. E fê-lo -como os seus colegas que por
lá passaram ao longo dos anos-, por vezes, em condições de legitimidade
questionável nas frentes editorial e económica.
“40 anos a fazer opinião”? Os
leitores (igual a mas diferente de consumidores) de um ‘jornal de referência’
gostam de comprar já tudo feito? Nenhuns ‘círculos próximos da indústria do
vestuário’ vos informou de que a “era do pronto-a-vestir” conhece dias
crepusculares e que a próxima aurora pode trazer consigo o “despertar dos
alfaiates”? Quanto ao “de referência”, por vezes, nada como o silêncio.
Com o mesmo respeito que revelais
pela minha pessoa
Ricardo Saló
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